sexta-feira, 21 de outubro de 2011

medo esquisito


Eu tenho uma coisa de ficar experimentando meus medos ou dores. Quando estou com um machucado, alguma parte dolorida do corpo, sem intencionar, tenho o costume de ficar apertando. Não acho mesmo que seja um pouco de masoquismo ou algo assim. Concluí que faço isso no sentido de "ver se ainda está doendo, se já está sarando" ou "tá vendo? tá doendo mesmo, não é imaginação minha. caramba, dói mesmo". Quando eu era criança e lavava roupa, havia um balde grande e azul escuro na minha casa. Se estava cheio de água, não dava pra ver o fundo do balde, pois ficava tudo escuro. O meu medo era colocar o braço lá dentro. Eu colocava e ficava ali observando que eu tinha mesmo medo daquilo, que minha mão estava lá no fundo infinito e "se aparecesse um jacaré aqui?" Não era um medo grande, mas se eu perdesse a concentração de que era um balde apenas, eu tirava o braço sem pensar. Medo do escuro também sempre existiu, mas esse é mais dolorido de enfrentar, pois se tento me concentrar no escuro, vai ficando pior rs Mas outro medo de que quero falar aqui é um fraquinho, mas bem incomum. No bairro da minha infância, há uma região de chácaras pro fundo da casa em que morei. Cheguei a andar naqueles caminhos, basicamente uma longa estrada de terra que conheci até a altura de uma instituição do Seicho-no-ie. Além dali eu me perguntava o que viria e queria que viesse uma cidade, um centro com muitas pessoas. Quando surgiu o google maps, fui lá ver o que havia a mais ao longo daquela estrada e até onde me levaria. Dei o maior zoom que podia e segui em frente, fui "andando andando" e de repente, da estrada, caí direto numa mata fechada e bem verde. Foi um medinho na hora. Um pequeno desespero de estar perdida ou sei lá o quê. Nem lembro o que fiz, se fechei a janela ou diminui o zoom, ou se fiquei observando o que estava sentindo. Só sei que até hoje, a fim de verificar meu pequeno medo, fico dando zoom em áreas verdes e áreas de água. Essas últimas são mais terríveis, nunca avancei em alto zoom pro meio do oceano e raras vezes deixei que a água ocupasse a tela inteira. Também ainda não tentei ver a Amazônia de perto. É um medo que consigo enfrentar, mas se estou distraída navegando e caio nessas áreas verdes ou do litoral, vou levando pequenos sustos. O último deles foi ontem. Resolvi ver como era o google earth. Abri o programa e vi a terra. Dei um clique em cima e veio aquele zoom incontrolável, meio 3D, direto da parte azul. Cerrei os olhos e fechei a tela. Fui postar no feice e mais tarde veio a ideia de pesquisar no google : medo google maps. O que encontrei foi isso:


Anyone else have this ultra weird phobia?

How do I even begin to explain this. Christ, here goes nothing... When I look at satellite photo's or Google Maps or something, and the satellite is focused over a large open area of water, I completely freak the fuck out. I don't mean that I get a soft chill and that's it, I mean I completely freak out and get scared shitless. If you find the name of a small island in the middle of an ocean and type it into Google Maps or Google Earth or something similar, it completely scares me looking at the water to the point where I start shaking and I close the page automatically.
It's not because of heights, if I look at a image of open ground such as a desert or a city, I'm fine. It's just something about looking at real satellite images of open water. I don't mind water, I love swimming and I am not afraid of water in general.
Oh fuck, I'm not alone am I?
http://forum.grasscity.com/general/752203-anyone-else-have-ultra-weird-phobia.html

Fobia a ver agua desde la altura!
Hola a todas! Realmente no sé de dónde provino este comportamiento en mí, pero no puedo ver agua en poca o gran cantidad desde la altura... Por ejemplo: Desde un avión, o mirando el mapa de Google Earth... uy no, es imposible que vea esa mapa satelital si hay agua en la imagen.
Es increíble pero cierto, y no sé por qué se dará. Soy una persona sociable, lo que se podría llamar "completamente normal", pero me pongo loca y me agarra pánico cuando veo agua desde mucha altura y no sé qué hacer!
http://foro.enfemenino.com/forum/f218/__f2218_f218-Fobia-a-ver-agua-desde-la-altura.html

Google earth, weird phobia?
Whenever I'm on google earth it makes me feel so sick and i feel very scared, Its ok when its zoomed in to all the houses, but when its going across the countries and looking at all the sea and all that its horribl. Does anyone have any idea why this could be?
Oh and please don't just say don't go on Google Earth because I have to because we use it loads at school.
http://uk.answers.yahoo.com/question/index?qid=20091117084226AAZMLmP

Há outros textos também, embora poucos. E não encontrei nada em português, sou a pioneira do assunto no Brasil rs
Abaixo, cena de horror! Na verdade, a cena assim estática não, mas melhor não ver dando zoom nessa área. Não é medo de altura, acho que é do desconhecido ou da imensidão.





Planos

-aprender a dançar

-aprender a surfar

-mergulhar

-voltar a fazer teatro

-acampar

-aprender a tocar, de verdade, um instrumento

-escrever um livro

-andar a cavalo

-viajar, viajar, viajar, viajar, viajar

sábado, 8 de outubro de 2011

A história das histórias que não valem a pena ser contadas, que quase não interessam mesmo a quem as vive. A história das histórias que tentam acontecer, espremidas entre o trânsito e as 10 horas de trabalho diário. A história das histórias que acontecem em prédios altos e envidraçados, com iluminação fosforecente e climatizadas artificialmente.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ontem ele estava aqui indo e vindo, voando e pousando no meu teclado.

- Saí bichinho, eu preciso trabalhar, não tenho tempo.

Entrou embaixo das teclas. Saí daí, preciso escrever, não posso te esperar. Preciso digitar essas letras. Ainda está aí? Vê se saí, eu vou embora, já estou atrasada, não tenho tempo de te tirar do teclado. Nem sei como.

Eu não tinha tempo, mas ele, sim. Aquela era a hora de ir e vir, voar e pousar. Hoje, na mesa, suas asas. Delicadas, transparentes, duas gotas de ar feitas para voar por uma tarde inteira e nada mais.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Impostos e impostores

Não tenho paciência para essas notícias sobre como pagamos muitos impostos no Brasil. Na última semana, com a divulgação dos novos números do “impostômetro” várias matérias foram veiculadas sobre isso, infelizmente todas iguais. As reportagens falam sobre como os impostos dos alimentos e produtos prejudicam, sobretudo, os mais pobres. E param por aí. Claro, porque os empresários interessados em difundir esses dados param por aí e poucos com poder de divulgação e questionamento parecem querer ir além.

É verdade que esses impostos prejudicam os mais pobres? Sim, mas abolir ou diminuir esses impostos também não trará prejuízos, principalmente para essas pessoas? Para equilibrar essa conta de forma justa e sustentável é necessário aumentar os impostos dos mais ricos, sobretaxar as grandes fortunas. Vamos também discutir isso na televisão?

Um dos problemas é que os impostos estão concentrados nos produtos de consumo. Segundo o Ipea, os 10% mais pobres gastam 33% da renda em impostos embutidos nos produtos, já que gastam neles a maior parte de sua renda, enquanto os mais ricos perdem só 22,7%, pois os impostos estão concentrados nos produtos de consumo, não no patrimônio ou na renda. Para reverter o quadro, porém, não basta diminuir os impostos dos produtos, precisamos aumentar os que incidem sobre a renda e o patrimônio. E mudar a distribuição atual: no Brasil, a alíquota máxima do imposto de renda, de 27,5%, é aplicada para rendas a partir de R$ 3.743,00. Ou seja, se o trabalhor@ ganha R$ 3.743,01 pagará 27,5% disso em impostos. Se sua renda for de R$ 10 mil, R$ 50 mil ou mais, também contribuirá com 27,5% de impostos. Legal, né? Fora a sonegação fiscal. A professora que está há 20 anos na rede pública, se especializou e trabalha em dois empregos para, com sorte, ter essa renda pagará o mesmo que um grande executivo. Com a diferença, que o imposto da professora já vem descontado na folha de pagamento, já o do executivo... sabe lá quanto ele vai declarar e quanto tira por fora.

A desigualdade também se repete entre os tributos das pequenas empresas e das médias e grandes. Mas quem mais reclama dos altos tributos?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Eu gosto cada dia mais dos animais:

http://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/fotos/2011/08/os-bichos-sao-felizes.html

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Respiro

Acho que às vezes a gente só precisa de um tempo. Esse respiro pode não resolver nenhum problema, pode até evidenciar alguns deles, mas ajuda a ver as coisas do tamanho que elas são. Eu tive um "respiro" de bastante trabalho fora de São Paulo e foi a melhor surpresa que me aconteceu ultimamente. Longe do cotidiano, parece que fica mais fácil também ver nossa vida com algum distanciamento, como se estivéssemos num balão observando a terra, vemos o labirinto complexo, mas também conseguimos ver que a saída dele não está tão longe nem é tão impossível de ser alcançada. É difícil conseguir ter esse tempo no meio do furacão, pode acontecer por acaso, mas se não, acho que vale a pena o esforço.

sábado, 20 de agosto de 2011

Corpo



Vendo o filme Cisne Negro, sobre a dura rotina de treinos e competitividade das bailarinas profissionais, eu só tinha um pensamento: como é lindo!! Lembrei de como eu era apaixonada por dança quando era criança. Eu queria ser bailarina, entre outras coisas, e passava o dia inventando passos, tentando fazer giros e ficar na ponta dos pés. Até conseguia fazer espacate! Não podia ouvir uma música ou eu mesma criava minhas melodias e saia dançando por aí...

Com o tempo fui parando - nos querem sentadas, estudantes, bem comportadas. Depois me convenceram que eu era uma negação para os esportes só porque nunca gostei nem aprendi a jogar vôlei. E não importava que eu nadasse bem, que fosse uma boa goleira e vencesse os campeonatos da escola. Era preciso saber o jogo "de meninas" que seria o único de todas as aulas. E me escolhiam por último nos times, e algum professor babaca de educação física já achou que se me desse um monte de bolada eu perderia o "medo". A gente acaba acreditando que não leva mesmo jeito pros esportes, nem pra mexer o corpo. Os movimentos vão endurecendo, se fechando, a dança, o ritmo , tudo parece que vai se perdendo e enferrujando.

Depois disso, outros amigos, outra escola, descobri que podia jogar basquete, ganhar campeonatos com meu time de amigas, discutir esquemas táticos e me divertir muito com tudo aquilo. Mas mais uma vez vêm os estudos, o vestibular, a faculdade, o trabalho...

Quando resolvi me inscrever na capoeira, e nem sei explicar direito o porquê da escolha, fiquei completamente encantada. A música, a dança, o jogo, a brincadeira e a gente amiga. Tanto que apesar das imensas dificuldades continuei e continuo. Adoro a sensação de liberdade de movimentos - o corpo solto que dança, joga, desafia e brinca -, mesmo que seja mais fácil vê-la no jogo dos outros. No final, ainda tem a alegria das rodas de samba!

Nessas férias, após uma oficina de danças brasileiras e contemporânea, constatei que eu realmente quero isso na minha vida. Em casa, percebi de novo aquele rodopio na cozinha, aquela brincadeira com o pé voltar ao corpo sem precisar nem de músicas. De repente, tudo fez sentido: o gosto pelo teatro, pela capoeira, pela dança, até assistir Faustão no domingo por causa da Dança dos Famosos! Não eram excentricidades, eu sempre gostei de tudo que envolvia movimento, trabalho de corpo. Fui enganada na escola quando disseram que aquele não era meu mundo. Mas não mais!

Estou procurando um curso de dança para adultos iniciantes, pensei em balé clássico ou dança contemporânea, mas também pode ser danças brasileiras, afro, salsa, baião, retornar ao teatro... Sem maiores ambições que recuperar essa parte de mim que me faz tão feliz, que faz eu me sentir livre e próxima daquela coisa que somos e estamos sempre buscando não perder, mas que tem sido tão desprezada nessa rotina de trabalho no computador.