Não tenho paciência para essas notícias sobre como pagamos muitos impostos no Brasil. Na última semana, com a divulgação dos novos números do “impostômetro” várias matérias foram veiculadas sobre isso, infelizmente todas iguais. As reportagens falam sobre como os impostos dos alimentos e produtos prejudicam, sobretudo, os mais pobres. E param por aí. Claro, porque os empresários interessados em difundir esses dados param por aí e poucos com poder de divulgação e questionamento parecem querer ir além.
É verdade que esses impostos prejudicam os mais pobres? Sim, mas abolir ou diminuir esses impostos também não trará prejuízos, principalmente para essas pessoas? Para equilibrar essa conta de forma justa e sustentável é necessário aumentar os impostos dos mais ricos, sobretaxar as grandes fortunas. Vamos também discutir isso na televisão?
Um dos problemas é que os impostos estão concentrados nos produtos de consumo. Segundo o Ipea, os 10% mais pobres gastam 33% da renda em impostos embutidos nos produtos, já que gastam neles a maior parte de sua renda, enquanto os mais ricos perdem só 22,7%, pois os impostos estão concentrados nos produtos de consumo, não no patrimônio ou na renda. Para reverter o quadro, porém, não basta diminuir os impostos dos produtos, precisamos aumentar os que incidem sobre a renda e o patrimônio. E mudar a distribuição atual: no Brasil, a alíquota máxima do imposto de renda, de 27,5%, é aplicada para rendas a partir de R$ 3.743,00. Ou seja, se o trabalhor@ ganha R$ 3.743,01 pagará 27,5% disso em impostos. Se sua renda for de R$ 10 mil, R$ 50 mil ou mais, também contribuirá com 27,5% de impostos. Legal, né? Fora a sonegação fiscal. A professora que está há 20 anos na rede pública, se especializou e trabalha em dois empregos para, com sorte, ter essa renda pagará o mesmo que um grande executivo. Com a diferença, que o imposto da professora já vem descontado na folha de pagamento, já o do executivo... sabe lá quanto ele vai declarar e quanto tira por fora.
A desigualdade também se repete entre os tributos das pequenas empresas e das médias e grandes. Mas quem mais reclama dos altos tributos?
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
terça-feira, 23 de março de 2010
Sobre a greve dos professores
"Segundo a Apeoesp, mais de 60% dos professores cruzaram os braços por um reajuste salarial de 34,3%. A secretaria [de educação do estado de São Paulo], que avisou que não concederá o aumento, calcula que 1% das escolas estejam sendo afetadas". - Folha de S. Paulo, 23/03/2010
Terceira semana de greve dos professores e tudo que a Folha consegue fazer é citar os números, totalmente díspares, apresentado pelo governo e pela Apeoesp para a adesão à greve. Isso é matéria que se apresente???
Terceira semana de greve dos professores e tudo que a Folha consegue fazer é citar os números, totalmente díspares, apresentado pelo governo e pela Apeoesp para a adesão à greve. Isso é matéria que se apresente???
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Marchons!
Que qualquer manifestação realizada em São Paulo só vira notícia porque "atrapalhou o trânsito" e "causou grandes congestionamentos na cidade" não é novidade para ninguém. Ainda assim, não dá para não comentar a última da Folha de São Paulo.
Na quinta-feira (26) uma vídeo-reportagem da Folha Online mostrou os protestos de "cerca de 15 pessoas" contra a prisão da dona da Daslu, Eliana Tranchesi - condenada, segundo a própria reportagem, por sonegação fiscal, formação de quadrilha e falsificação de documentos. O jornal se deu ao trabalho de enviar um repórter para cobrir o protesto de 15 pessoas!! Protesto, álias, que não durou mais de 15 minutos - provavelmente o tempo que o jornalista esteve presente no local (é, a janela do escritório tem uma visão privilegiada da região). A matéria só não contou se são só 15 mesmo os beneficiados pelos projetos sociais da Daslu (ou quanto cada participante recebeu para estar ali).
Já na segunda (30), a chamada do UOL linkando pra Folha Online não deixou dúvidas, uma manifestação atrapalhava o trânsito da Paulista. 14 horas não é horário de pico, protestos contra a crise vêm sendo realizados em todo o mundo, o futuro da economia preocupa a todos, mas não importa: prejudicaram o trânsito, esta instituição paulistana. Sim, prejudicaram porque "cerca de 4 mil pessoas" não são 15, não dá pra andar na calçada.
Que se proiba de vez qualquer manifestação que mereça este nome, defendem parados em seus carros, ar condicionado no último, os paladinos do trafégo. No que depende da abordagem de grande parte da imprensa já não somos mesmo informados sobre os motivos dos protestos. Manifestação para quê? Se só existe um modelo correto, uma economia possível, uma beleza universal, um modo de vida válido...
Marchons!
Na quinta-feira (26) uma vídeo-reportagem da Folha Online mostrou os protestos de "cerca de 15 pessoas" contra a prisão da dona da Daslu, Eliana Tranchesi - condenada, segundo a própria reportagem, por sonegação fiscal, formação de quadrilha e falsificação de documentos. O jornal se deu ao trabalho de enviar um repórter para cobrir o protesto de 15 pessoas!! Protesto, álias, que não durou mais de 15 minutos - provavelmente o tempo que o jornalista esteve presente no local (é, a janela do escritório tem uma visão privilegiada da região). A matéria só não contou se são só 15 mesmo os beneficiados pelos projetos sociais da Daslu (ou quanto cada participante recebeu para estar ali).
Já na segunda (30), a chamada do UOL linkando pra Folha Online não deixou dúvidas, uma manifestação atrapalhava o trânsito da Paulista. 14 horas não é horário de pico, protestos contra a crise vêm sendo realizados em todo o mundo, o futuro da economia preocupa a todos, mas não importa: prejudicaram o trânsito, esta instituição paulistana. Sim, prejudicaram porque "cerca de 4 mil pessoas" não são 15, não dá pra andar na calçada.
Que se proiba de vez qualquer manifestação que mereça este nome, defendem parados em seus carros, ar condicionado no último, os paladinos do trafégo. No que depende da abordagem de grande parte da imprensa já não somos mesmo informados sobre os motivos dos protestos. Manifestação para quê? Se só existe um modelo correto, uma economia possível, uma beleza universal, um modo de vida válido...
Marchons!
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Solteagarra
Era uma vez, num país não tão distante, um lobo que atacou a chapeuzinho vermelho. O jovem guarda florestal, ao descobrir o que se passava, correu para salvar a menina.
Agora, entretanto, todos os jornais publicaram que o salvamento só foi possível com a ajuda de um aposentado guardião da floresta, o curupira. A folclórica entidade também é acusada de ter lido uma carta endereçada ao lobo sem a devida autorização.
A justiça não pôde deixar este caso de comoção nacional passar batido e correu para devolver a garota às garras do lobo. As informações que a livraram deste pesadelo infantil, afinal, haviam sido obtidas de maneira ilegal: além da carta, o curupira é aposentado. Ou alguma criança ainda sabe o que é isso?
O guarda, frustrado, responde a inquérito e pôs de volta no bolso o inspirado nome de sua recente operação – Solteagarra.
Agora, entretanto, todos os jornais publicaram que o salvamento só foi possível com a ajuda de um aposentado guardião da floresta, o curupira. A folclórica entidade também é acusada de ter lido uma carta endereçada ao lobo sem a devida autorização.
A justiça não pôde deixar este caso de comoção nacional passar batido e correu para devolver a garota às garras do lobo. As informações que a livraram deste pesadelo infantil, afinal, haviam sido obtidas de maneira ilegal: além da carta, o curupira é aposentado. Ou alguma criança ainda sabe o que é isso?
O guarda, frustrado, responde a inquérito e pôs de volta no bolso o inspirado nome de sua recente operação – Solteagarra.
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