segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Reflexão acerca da democracia e participação popular nas políticas públicas

Queremos aqui propor algumas reflexões da importância da interferência popular no Estado.
Democracia é o regime de governo em que o poder está nas mãos do povo: demo (povo) cracia (poder). Podemos também definir democracia como a ampliação da cidadania, que por sua vez é a relação/interferência do indivíduo na coisa pública.
Sendo assim, por que no Brasil - que é um país democrático, em que, portanto, o povo tem o poder - há, por exemplo, tanta desigualdade social?
Parte deste problema acontece pois o brasileiro, de um modo geral, só participa realmente do poder no momento do voto, o que acontece a cada dois anos. No resto do tempo se torna um sujeito socialmente apático.
Sobre este assunto Moses Finley diz que a apatia social é responsável pelo insucesso da democracia moderna - uma democracia em que poucos exercem o poder de fato, e a população, de um modo geral, não participa ativamente das tomadas de decisões.
Esta apatia social é decorrente em parte do fato já citado, de que o indivíduo só se sente participante do poder no momento do voto, e também porque, em determinadas situações, o Estado não dá conta das necessidades de sua população. É o caso, por exemplo, das prostitutas, que não tem sua profissão regularizada no Brasil, não tendo direitos trabalhistas, sendo marginalizadas, e sentindo-se, portanto, excluídas deste Estado. Esta necessidade não será transformada em direito se não houver manifestação da população de interesse.
A participação popular na luta pelos direitos não é desencadeada pela necessidade somente. A noção de direito é o fator limitante nesta luta da participação brasileira. E é esta atividade social, chamada democracia participativa, implantada no Brasil com a Constituição de 1988, que complementa a democracia representativa, que é exercida pelo voto. Mas que muitas vezes, pela falta da noção de direito, não é exercida pela população brasileira.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ano novo

Era o primeiro dia do ano, mas para ele foi o último. E acabou logo nas primeiras horas.

Não se sabe ao certo se a causa foi a embriaguez do sono, do álcool ou da pressa – pressa de viver e a de trabalhar.

O carro fez sua última curva na estrada. Na contramão. O tempo correu mais devagar naqueles instantes, mas não o suficiente. Nem todos subiam a serra neste dia primeiro. O choque inicial foi o maior. Bateu depois com o que vinha atrás. Antes deu um rodopio no ar – mas ele não era avião – e caiu pesado.

Não era para essa paz o branco daquela madrugada.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Terezinha

O primeiro tinha o rosto liso, a pele perfumada e o sorriso perfeito. Braços fortes e o sapato certo. Era certeza, cuidado e organização.
Casamos...

O segundo, andar agitado, calça velha, unhas tortas. O cheiro de cigarro e o corpo tatuado. Era loucura, estranhamento e descoberta.
Fugimos!

O terceiro trazia a barba por fazer, os pés no chão e uma história no bolso. Olhos calmos e mãos cheirando a terra e manhã. Ele assobiava uma música antiga e alegre.
E eu fui indo ao seu lado, ensaiando um passo de dança.

domingo, 25 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

A cidade é sua aos domingos

A cidade é sua aos domingos.

Ela não vai te devorar, aos domingos.

As casas estão ali paradas. Elas só olham e têm cheiros e sons diferentes, e não vão desabar. Aos domingos.

Na rua suja e feia de antigas fábricas aposentadas, duas janelas vão ser abertas, e o cheiro da pipoca vai cobrir o cinza das paredes.

Os carros vão diminuir. E algum silêncio e vozes, baixas ou infantis, vai se fazer ouvir.

Pessoas se encontrarão às mesas, nas esquinas. E os velhos voltarão a ser gente, aos domingos.

O tempo vai caminhar a passos lentos e cuidadosos, próprios de sua idade.

E algumas coisas vão parecer ter algum sentido. Aos domingos.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Eu queria ser um livro
Para poder arrancar as minhas páginas quando me cansasse delas.
Eu teria sempre só páginas em branco:
Inúmeras possibilidades não realizadas

sábado, 12 de abril de 2008

Provas definitivas do mundo

Nós, os jornalistas, amamos os números: todos os números, qualquer número. Que estejam fora de contexto, ainda que sejam uma porcentagem sem valores, que não digam nada, dizendo tudo, que sejam inventados, super ou sub valorizados, mas que sejam números!

Na nossa busca por quantificar o inqualificável, importa é sua presença como baluartes apontando a certeza no trôpego caminho por nós escolhido - mentindo, para não nos deixar mentir. Provas definitivas de um improvável e indefinido mundo.

domingo, 23 de março de 2008

- Atenção senhores passageiros:
O Metrô informa que os trens da linha azul estão funcionando normalmente.

1º) Agora avisam quando está funcionando 'normalmente', porque não é o mais comum.

2º) Se não avisassem, ninguém ia perceber (que estavam funcionando normalmente).

terça-feira, 11 de março de 2008

Muito além da chuva...

London Weather:
Monday - heavy rain
Tuesday - light rain
Wednesday - light showers
Thursday - heavy showers